quarta-feira, 26 de março de 2008

Jardim de Inverno

Trazes velhas memórias,
aqui,
à porta do meu Jardim,
e pequenas lembranças do vento do Norte,
debaixo do braço.

Colhes as minhas rosas molhadas pelo orvalho de prata,
que se enraizaram
quando o Inverno lhes roubou o calor e lhes criou o azul.
Cortas as pernas com que pisam,
nos bosques solitários,
a fria e pura neve.
Secas os meus Corajosos Lírios e as minhas Belas Magnólias,
que sobreviveram ás tempestades assassinas vindas do Sul.

Não as mates! Não as mates!

Poupa a seiva da terra que criam
e que te fez nascer,
e fazer parte deste mundo escuro e pesaroso.
Mesmo que não tenhas pedido para nascer,
estás aqui à porta do meu Jardim,
com todas as cores do pó que te envolve a pele que vestes.

Foram elas que te deram:
a Paisagem que admiras,
o prazer da tua mulher,
os pecados de sangue.

Vai!
Vai, assassino longínquo!
Trazes a destruição sepultada
nas palavras obscenas que ousas proferir.
Não respires,
e entretanto,
leva essa tua honra nojenta,
para a terra que te há-de devorar,
e possuir-te ate à exaustão corporal.

Morre!
Que todas as pragas egípcias te consumam as entranhas,
que te esventrem as memórias e lembranças podres
que trazes debaixo do braço.
Que Vulcano,
Senhor do Ferro e Fogo,
te derreta a boca e a língua
com que espalhas as blasfémias da serpente divina
e a Deusa que segues irá morrer
com o veneno dos meus Acónitos.
E se os teus dedos tocarem uma só vez mais,
no meu corpo verde,
comerás os vermes da Belladona, Scadoxus e Poinsétia.

Volta para o teu buraco de cimento,
onde cospes o chão da família natural,
donde tudo veio.

FOGE! CORRE!

Não olhes para trás,
e não irás encontrar de novo este jardim,
este meu Jardim de Inverno.

sábado, 22 de março de 2008

Sexus

Tiro-te a camisola num gesto repentino.
Com a boca a salivar agarro os teus seios brancos e lavo-os com a minha língua grossa.
O resto da roupa foi-se dissipando, entretanto, já nós estávamos deitados na cama, olhando-nos fervorosamente.
Com as minhas mãos aventureiras abro as tuas pernas, lentamente.
Faço o meu dedo escorregar pela tua vagina quente.
Soltas um gemido de prazer exuberante.
Juntamos-nos como um só, e eu penetro-te.
Era uma explosão de calor.
Agarro-te os cabelos e caminho mais fundo.
Os movimentos eram insaciáveis, a respiração descontrolava á medida que nos íamos envolvendo cada vez mais.
O suor aparecia nos cantos mais altos da minha testa, tu ofegavas agarrada à cama.
*
Abro a gaveta da mesa de cabeceira, e puxo dum cigarro apetecível.
Acendo-o, dou algumas baforadas, volto a pousa-lo no cinzeiro vermelho.
Tu dormes e eu olho para ti como se fosses minha.
Cofio o teu cabelo sedoso, beijo-te os lábios carnudos
e desapareço.

terça-feira, 18 de março de 2008

Vontade

Beber a tua saliva nos mais puros cálices
é o desejo mais íntimo de qualquer Deus.

E beijar cada parte do teu corpo,
com estes meus lábios sedentos.

É o triunfo das horas mortas
que já não vêem os minutos passar
com a correria dos fluidos.