quinta-feira, 26 de junho de 2008

" Quero sangue de corpos rasgados, beber até ás ultimas gotas. Desmembrá-los e deitá-los aos caixotes de lixo mais podres e nojentos da cidade. Cobri-los de merda e cuspir-lhes em cima, como se nem de humanos se tratassem."

Tenho sonhos como este desde criança, tinha-os enquanto esquartejava gatos e coelhos com a colecção de punhais do meu pai.
Sempre gostei de sujar as mãos com o líquido que jorra dos corpos depois de os ter aberto totalmente.
Sentir o odor das suas entranhas, procurar vestígios de cocaína nos pulmões.
Canso-me de ver tanta gente, tanta gente, tanta gente viva!

Quero morrer e fazer parte desses corpos moribundos e selvagens.
As feridas da infância doem, doem aquelas pontas de cigarro imparáveis.
Morram! Desapareçam! Morram! Morram!

Enterrem-se em cemitérios brancos e tão sujos de terra, pó de toda aquela Morte.

Lembro-me de um sonho em que morri.
Morri pela primeira vez quando meti toda a colecção de 56 punhais do meu pai no sitio a que elas mais pertenciam.
No meu pai!

Vi-o revirar os olhos até perderem toda a íris colorida, até esvaziar o humor vítreo.
Sinto esse dia-sonho como se tivesse morrido com ele.

Quero a Morte!
Quero mais morte no mundo, não quero viver sozinho...
Quero viver numa lenta e doce morte...
Viver para sempre nos Invernos repletos de mortos caídos pelas estradas.

Choro...
Não consigo dormir com tanto morto.

Vamos morrer? Por favor! Matem-me, como quiserem, mas MATEM-ME!

quero dormir...
hoje...


choro



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