sábado, 7 de junho de 2008

Amanhã vamos acordar e ser iguais.
Partilharemos a mesma sombra e dançaremos nos rios de prata líquida da lua.
Acordaremos do sonho de ser poeta e deixaremos de o ser.
Juntaremos as memórias, permaneceremos no silêncio doutros corpos.
Amanhã seremos iguais, mas só por um dia;
Não quero viver sem os diáfanos movimentos, sem o ofegar depois do sexo.
Só preciso de gritar, com a forca de um peixe verde, respirar, levantar-me do chão, agarrar as paredes e fumar um cigarro durante a eternidade da minha morte.
Não quero mais a garganta atada com nós de solidão, quero voar com asas de pêssego e abandonar o sonho do poeta.
Ser livre e cantar em Lá Menor toda a humanidade podre.
Roubar relíquias marinhas, de todas as tonalidades, e consumir cada uma até á exaustão.


Adormeço com a mão no teu sexo, embarco no toque da pele e visto-me de nudez.
Disfarço-me de leopardo e chamo por ti.
Nunca vieste, mas já não há horas de espera nos olhos de um peixe verde ou de um leopardo nu.
Hoje, sem ti, quebro diamantes com a doçura do sangue.
Sou feliz.
Sou feliz, porque das trevas não nascem li rios brancos, nem da luz o negrume da noite lenta.
Eu? Eu já não sonho com poetas.


Seremos humanos, humanos felizes capazes de sentir as ondas latejar nas veias e ouvir os cometas cerúleos em nossos corpos estelares.

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