terça-feira, 15 de abril de 2008

I


Gostava de te dizer que sim.
Gostava de saber que estás sempre lá,

mesmo que não estejas

, nalgum lugar recôndito esperando por mim,
e que olhes por mim quando digo que tenho medo de ti.
Não quero que te afastes, não quero os teus horizontes .
quero te aqui, na minha frente, como se do nada viéssemos ou fôssemos.

Já me encontraste.
Onde estás tu, então?

Gostava de te dizer:
" Volta, a solidão mata-me todos os dias, a tua presença completa os espaços vazios. Volta "

Eu não sei falar a tua língua, não compreendo o que dizes.
O que é que vês em mim, nem sequer vimos do mesmo lugar.

As palavras já se enrolam na minha boca, ja não sei o que dizer, elas não me saem do corpo.
Já não saem de qualquer lugar, estão presas algures no tempo dos mortos que ninguém vê ou ouve,
É melhor assim ...
Um dia voltaremos a ser,

talvez

,o que éramos,
mas por agora somos terra,
e terra seremos,

por enquanto.

Um comentário:

Anônimo disse...

Obrigado.