sexta-feira, 2 de maio de 2008

Alice?
Sim.
Dá-me a mão.

As mãos laçam-se num movimento doce, calmo.
Só a respiração se ouve, abranda-acelera.

Conta-me. O que aconteceu?
Morri.
Morreste? Como morreste?
Não sei, apenas, morri.

A Morte submergiu das bocas e estatelou-se no chão.
Cega, muito morta.

Não tenhas medo.
Não. Ficas comigo?

Para sempre?
Não.
Então?
até esta dor fugir de mim.

A Dor juntou-se á Morte e ambas devoraram as larvas da loucura enquanto se tocavam mutuamente.

(Alice afaga-lhe a cabeça)

Fica comigo, sim?
Sempre, Alice.

Sempre.

A MorteDor estendeu-se no chão em pequenas gotas de orvalho sujo, e cobertos de poeira o vento varreu-os.

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