o meu quarto está escuro.
eu deixo-me ficar.
as minhas mãos abrem-se em feridas duras na pele do medo.
um homem entra no meu quarto, viola-me.
eu deixo-me ficar.
ele fode-me abruptamente, sai sem se despedir, nem mesmo uma palavra.
deixando-me nu e triste.
eu deixo-me ficar, porque nada posso fazer e nada há para mudar.
as feridas murcham, estão tão podres como o meu sexo.
o homem volta, agarra-me e abana-me violentamente.
grita num língua que eu não conheço e volta a enterrar o sexo no meu corpo de cristal.
desta vez, doeu o que tinha para doer.
o meu sexo, esse sangra pela masturbação nervosa.
enquanto o corpo,todo ele é sangue e chaga aberta;
as mãos
os olhos
a boca
as janelas
ele volta.
traz uma mulher consigo.
não sei qual é a cor da boca dela, o quarto está escuro.
senta-se nas minhas lágrimas pretas, observa o sexo que o homem faz comigo.
lambo os olhos com as pálpebras, mantendo-os fechados.
não quero sentir , não quero chorar.
afinal, não havia mulher nem homem.
eu deixo-me ficar.
(tranquei a porta)
o homem não voltou mais.
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